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Formar para Cooperar: Professor do DER concede entrevista para indicar o papel estratégico da educação no Futuro do Cooperativismo

O cooperativismo brasileiro vive um período de expansão sem precedentes, mas se depara com o desafio imediato de preparar as lideranças que conduzirão o movimento nas próximas décadas. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, divulgado pelo Sistema OCB, o país atingiu a marca de 25,8 milhões de cooperados em 2024 — um salto de 66% em apenas cinco anos.

Para sustentar esse crescimento de forma sólida, a edição 132 da Revista MundoCoop trouxe como destaque de capa a máxima: “Formar para Cooperar: como a formação cooperativista prepara pessoas e lideranças para fortalecer o propósito, a cultura e o futuro das cooperativas”. Nesse cenário de transformações, a educação estruturada deixa de ser uma ação isolada e assume o papel de estratégia central de sobrevivência e mercado.

Nesse cenário, quando o assunto é qualificação acadêmica voltada ao setor, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) consolida-se como uma das principais referências históricas no Brasil. Com um curso de Cooperativismo iniciado em 1975, a instituição tem se reinventado continuamente ao longo das décadas para responder com precisão às demandas de um mercado em permanente mudança. A formação oferecida pela UFV desempenha um papel crucial ao moldar profissionais que não apenas dominam ferramentas técnicas, mas que compreendem profundamente a essência do modelo associativo. O impacto dessa formação estruturada é acompanhado de perto pelo professor e coordenador do curso de Cooperativismo Pablo Murta Baião Albino, que integra o Departamento de Economia Rural da UFV.

Em sua entrevista à MundoCoop, o professor Pablo expõe que os benefícios de se investir continuamente em educação vão muito além do ganho técnico básico, indicando que o principal ganho estratégico é o de transformar o cooperativismo em uma competência organizacional permanente, e não apenas em um discurso institucional, sendo a educação o fator que permite equilibrar essas dimensões. Na prática das cooperativas, essa qualificação gera mudanças visíveis no cotidiano: as equipes e lideranças passam a guiar suas ações por meio de diagnósticos, indicadores, metas e uma clara visão de longo prazo. Como consequência direta, a governança ganha transparência e os conselhos elevam consideravelmente a qualidade de suas decisões. Além do ambiente interno, a melhoria se estende à comunicação com a base social, já que uma cooperativa bem formada comunica melhor, presta contas melhor e cria mais canais de participação, aumentando a confiança, fortalecendo a fidelização dos cooperados, gerando valor e melhorando a capacidade de mobilização para assembleias, núcleos, comitês e processos de planejamento participativo. O envolvimento ativo do quadro social fortalece a posição da cooperativa no mercado, fazendo com que todos ganhem.

Entretanto, apesar dos avanços, o professor faz um alerta importante sobre um desequilíbrio identificado nos dados do Anuário do Cooperativismo, onde há a indicação de que atualmente, os colaboradores técnicos das cooperativas encontram-se mais qualificados do que os seus próprios dirigentes. Esse descompasso compromete o ambiente de tomada de decisões estratégicas. Um conselheiro preparado precisa dominar demonstrações financeiras, riscos e regras de governança, mas deve ter a sensibilidade de entender que a decisão cooperativa não se restringe ao retorno financeiro imediato. Ela precisa englobar os impactos na comunidade, a sustentabilidade do negócio e a coerência com a identidade cooperativa. Logo, profissionalizar a gestão sem aplicar uma educação genuinamente cooperativista traz sérias ameaças, sendo o maior risco relacionado à perda de identidade combinada com perda de competitividade, se tornando uma combinação perigosa.

Nesse cenário, se a cooperativa não se profissionalizar, fica vulnerável em mercados cada vez mais complexos. Entretanto, se ela fizer isso sem educação cooperativista, pode se distanciar de sua base social e passar a operar como uma empresa convencional que luta para sobreviver no mercado sem nenhum tipo de diferenciação. Essa distinção é o cerne da formação específica. Assim, profissionais sem a devida base em cooperativismo correm o risco de aplicar modelos de negócios tradicionais de forma automática, ignorando a lógica democrática e associativa que define a organização de dupla natureza (econômica e social).

Em conclusão, o professor projeta as diretrizes para que o cooperativismo nacional permaneça forte e relevante nas próximas décadas. A chave, segundo ele, está na capacitação integrada de três pilares fundamentais, sendo eles “Cooperados conscientes; Dirigentes preparados e ; Equipes técnicas qualificadas, sendo necessário que todos sejam capazes de inovar sem descaracterizar o modelo cooperativo, tendo em vista que quando esses três públicos aprendem juntos, a cooperativa ganha densidade institucional, capacidade de adaptação e legitimidade social.

Confira a matéria no site: https://mundocoop.com.br/revista-mundocoop-edicao-132/


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